As teias que o império
colonial tece acabam por coincidir com a própria democracia,
quando os traficantes do negocismo, os compradores de poder e outros influentes passam a controlar o novo império-sombra
da integração europeia, tudo revelando o castiço provincianismo das relações
entre a política e os negócios, num tempo de transição onde velhos traficantes
de influência, os patos-bravos e os
próprios contrabandistas, se fazem gestores de excelência e
beneméritos, com banqueiros à maneira de Dona
Branca a serem elevados, pelo jogo da pirâmide
da pretensa engenharia financeira, a paradigmáticos seres de sucesso.
As teias que o império tece acabam por enredar-nos na democracia
pós-revolucionária e pós-colonial, porque os negocistas, traficantes,
compradores de poder e outros influentes
passam a usar os mesmos meios, embora ao serviço de
outros fins, nomeadamente da cooperação,
e da integração europeia que se lhe associa, com os restos de império colonial a assumirem as novas missões
civilizacionais dos homens de sucesso, feitos excelentes gestores e
beneméritos, com os mesmos homens de borracha executando a cantilena do patrão,
mesmo que um trator lhes passe por cima.
