Na década de quarenta do
século XX, o salazarismo colonial tem como principal aliado a Igreja Católica,
através da Concordata e do Acordo Missionário, e tenta advogar o
verso épico do nacionalismo da expansão, acirrando o feitiço do império (1940). Não observa que o PCP se reorganiza com Álvaro Cunhal e se
prestigia culturalmente, com o comando do neorrealismo, ou realismo socialista.
Nem sequer repara nos princípios estabelecidos para a nova ordem mundial, a
partir da Carta do Atlântico (1941).
Ainda vive na ilusão da belle époque
e tem de sofrer o choque da ocupação japonesa de Timor
(1942).
Assume a neutralidade
colaborante com os Aliados (1943) e lança um dos seus mais brilhantes
intelectuais, Marcello Caetano, como ministro das colónias (1944).
Infelizmente, está na moda o racismo e teme-se o mestiçamento, com o advento
tardio de uma teoria colonial raciológica, sem compreensão para as várias
guerras coloniais que ocorrem no pós-guerra (1945). Mas no ano do lançamento da
Cortina de Ferro (1946), raramente se assinala a criação da União Francesa, para, no ano seguinte, se chamar um admirador
serôdio do fascismo para a pasta colonial, Teófilo Duarte (1947). Segue-se a
candidatura de Norton de Matos à presidência da república, em nome da nação una (1948-1949), mas tudo se
disfarça com o convite para sermos fundadores da NATO).
