Em qualquer uma das
aventuras construtivistas, com
mentores, cartilhas e adesões, face a um pretenso desígnio
nacional, com o consequente projeto de nação como comunidade imaginada, falha a
preparação, a
previdência e a persistência de Sancho Pança e vamos iludindo-nos com o lampejo das fúrias voluntaristas
conjunturais, pelo recurso a sucessivos
falsos Quixotes, para uma vitória do rapidamente e em força, numa qualquer operação
guerrilheira de contraguerrilha, do tipo de Passaleão,
de 1849, ou de Chaimite, de 1895. Mas
sempre se teme um desastre militar de uma qualquer
invasão, como a de Goa, em 18 de dezembro de 1961, com a consequente vingança
de outro qualquer carro de cavalaria mecânica,
capaz de
prender o pretenso ditador, o dos nossos fantasmas e preconceitos. Basta um só dia de manhã
clara, à boa maneira sebastianista, quando, cantando o Grândola, Vila Morena, pusemos cravos nas metralhadoras, quando o
vencedor passou diante das floristas da praça do Rossio. E não é por acaso que
a queda do regime do Vinte e Oito de Maio é precedida, em novembro de 1961, pelo primeiro desvio de um avião
comercial na história do mundo, um super
constelation da TAP que se desloca de
Casablanca para
Lisboa, para se distribuirem panfletos anti-salazaristas, num golpe do grupo de
Palma Inácio, planeado por Henrique Galvão. O avião chama-se, em nome dos acasos da história, Mouzinho de Albuquerque.
