É
evidente que não posso ter saudades de
futuro face a um modelo que produziu o colonialismo, a escravatura e o
racismo, o lado sombrio de um outro luminoso sonho que o tempo não quis
cumprir. E tenho de agradecer a todos esses povos o facto de quererem ser
independentes.
A melhor forma de continuarmos a procurar Portugal
fora de Portugal passa por acedermos ao universal, tecendo futuros laços que
venham a estabelecer-se entre essas várias pátrias da mesma língua comum, que
pode ser mátria. Uma supernação intermediária, feita de
várias nações, a caminho de uma supernação
futura, ou república maior.
Porque aquilo a que chamamos comunidade
dos países de língua portuguesa ainda é imperfeito esboço de um mais vasto
sonho que, dia a dia, as plurais identidades e culturas podem referendar, pela comunidade das coisas que se amam.
