Américo Olavo Corrêa de Azevedo, antigo aluno da Escola
Colonial e futuro ministro da guerra, no
testemunho Na Grande Guerra, Lisboa,
Guimarães, 1919, na qualidade de antigo prisioneiro dos alemães e da primeira Torre
e Espada no conflito, reconhece que Portugal, senhor de vastos e afastados domínios a
cujas necessidades de defesa, de administração e de intercâmbio a sua reduzida
frota de comércio não poderia bastar, necessitado duma ligação íntima e
constante com o Brasil que com o peso do seu oiro lhe equilibra a balança
comercial e de relações permanentes com os demais países de que importa as
mercadorias indispensáveis à alimentação da sua população, estaria condenado ao
isolamento, à ruína e ao desmembramento, desde a hora fatal em que lhe faltasse
o concurso, o auxílio dos povos que, mercê da supremacia marítima,
conservassem, detivessem a liberdade dos mares para satisfação das suas
necessidades de ordem comercial e industrial. E sendo as suas duas maiores
colónias mordidas profundamente na superfície do continente africano,
confinantes com territórios dalguns dos povos em guerra, porventura dos dois
que a aspiração de hegemonia sobre o mundo mais sacudiu e assanhou,
reservava-as o futuro para teatro de sangrentas e duradouras operações em que
se empenhariam as forças coloniais dum e doutro, às quais a escassez das nossas
e a falta de tonelagem própria, indispensável à sua sustentação e reforço, nem
poderiam impedir nem ao menos criar um arremedo, sequer, de embaraço. E quem
sabe os ignorados destinos que a esses teatros de operações, ou melhor, de
ocupação por parte do vencedor, estariam reservados, um dia, chegado o momento
das negociações, da imposição duma nova ordem de cousas, impeditiva de futuras
guerras sem que à mesa, em torno da qual se reunissem os representantes dos
lutadores num desejo tardio de reconciliação, se sentasse também um delegado
português, porta-voz dos nossos direitos e afirmação viva do nosso esforço, dos
nossos sacrifícios, da nossa comparticipação.
