As transições decadentistas levam a décadas de crise psicológica, mesmo quando estão contra os ventos da história e a esperança dos povos. É assim com o processo da abolição do tráfico dos escravos e a própria extinção da escravatura. Logo, os líderes políticos que aguentam a degenerescência são diretamente proporcionais a esta sucessão de rebaixamentos de fins da política, quando não da própria suspensão dela.
Muitas das aventuras e
desventuras de um império que se vai descobrir como exótico, no pós-Ipiranga, quando,
nesse d’além, ainda funcionam em
pleno as
redes não-estaduais de poder, os governadores,
e as outras
autoridades nomeadas pelo centro, só
mandam quando conseguem federar, em
proveito próprio, os poderes fácticos locais, de colonos, assimilados e até de
potentados gentios.
Tudo o que vem à rede do
imposto é sustento e, como aquilo que o Estado paga aos seus serviçais é tão pouco que quase não dá para as despesas, torna-se
inevitável a
acumulação das incipientes funções públicas com a promiscuidade negocista,
provocada pela inevitável compra e venda
de poder nesses escalões do vasto império. Daí, a sucessão de plurais lealdades, nomeadamente a obediência básica ao abstrato príncipe
do centro da monarquia, mas que ainda não é a uma pátria ainda romantizada como
nação, por não terem chegado Almeida Garrett, Alexandre
Herculano, Teófilo Braga e os republicanos dos heróis do mar e do nobre povo,
com nostalgia pelos egrégios avós.
