
E é já
com
pouco mais de vinte anos, no último ano da minha formação universitária básica,
que sofro a chamada descolonização exemplar, quando arreamos
apressadamente
a nossa bandeira das plagas africanas e, mais longe, na Ribeira de Timor, enclausuramos os restos do aparelho de poder de
Lemos Pires, na ilhota de Ataúro. Quando, de forma egoística, abandonamos muitos povos a quem tínhamos prometido a
construção conjunta de uma nova comunidade, gerando um vazio estratégico,
depressa ocupado por anteriores poderes
erráticos, subordinados a grandes potências, ou a interesses ocultos da
economia internacional, muitos sem amor àquelas terras e àquelas gentes, onde,
apesar de tudo, acabarão por ressurgir as forças anímicas
federadoras de enraizadas libertações nacionais e se recomeçaram os universais
sonhos de independência. Ter
opiniões é estar vendido a si mesmo. Não ter opiniões é existir. Ter todas as
opiniões é ser poeta[1].
[1] Fernando Pessoa, Livro
do Desassossego de Bernardo Soares, Vol. I. (organização e
fixação de inéditos de Teresa Sobral Cunha), Lisboa, Presença, 1990, p. 232.