O Vinte e Cinco de Abril de 1974 é mais
uma revolução de assentimento na
linha da Regeneração de 1851, onde os
futuros marechais António de Spínola e Francisco da Costa Gomes desempenham a
função anteriormente requerida a Saldanha, para que a tropa possa desencadear
uma révolution d’en haut que tem no
limite a própria hierarquia de uma subversão
a partir do aparelho de Estado. É assim que rapidamente e em força se consegue uma aparente paz dos bravos para o fim da guerra
colonial e o abandono do império, sem ilusões quanto a reformismos federalistas
ou unitaristas.
A pior
consequência desse processo, não são apenas os 500 000 ou 700 000 deslocados,
ditos, de forma dolosa, retornados, quando muitíssimos nem sequer tinham
visitado Portugal, mas os dias seguintes, de sangrentas guerras civis, em
Angola e Moçambique.
É
evidente que o poder militar português não tem
força sequer, para policiar uma qualquer paz armada, entre movimentos
locais que deixamos em atitude de conquista, ou apenas
para proteger os ex-colonos e colaboradores, mas não
podemos dar uma imagem de cobardia ou de deserção.
