O colonialismo é efetivamente manchado por massacres, racismos e
sucessivas ditaduras da incompetência, capitalismos sem ética, pirataria e escravismo. E a culpa é mesmo de um povo mau que, contudo, tem muitas coisas boas, bom como atuações de excelência
individual que continuam a ser exemplares paradigmas,
principalmente de atuações militares.
Claro que o colonialismo
perde a validade quando ultrapassa o seu limite, no
contexto de uma política internacional já não controlada pelo ocidente. Aliás,
nem sequer pode durar por meras razões demográficas, tal como não aguenta o apartheid da África do Sul e do seu
satélite rodesiano, provas de que é impossível uma tardia política de
miscigenação, luso-tropical. Mesmo que imediatamente
lançada no pós-guerra, por mais reformistas e democráticos que sejam os poderes
metropolitanos. As maiores potências mundiais medem-se pelos povos que elas
representam e elas já são, sem dúvida, da China e da Índia.
A eleição de Norton de
Matos, Quintão Meireles ou Humberto Delgado, com a
consequente demissão de Salazar, talvez nos antecipassem a democracia e a integração europeia, mas nunca vitalizar um império não passível de
adaptaçãoao fim daquela guerra civil europeia que nós, europeus e ocidentais,
criminosamente, transformamos em guerra mundial.
Claro que não há efetiva descolonização, mas abandono provocado, não por um projeto
central, mas por uma concorrência de lutas pelo poder que, provocadas nas
elites de base, sobem, através de intermediários, para os
corredores dos próprios palácios do poder.
